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Milton Bandeira |
Guarabira, Paraíba, aos 13 de abril de 1907, nascia, na residência do Desembargador Pedro Bandeira Cavalcanti, jurista conceituado e Vice-Presidente do Estado da Paraíba, por dois quadriênios seguidos, e de Antônia da Rocha Bandeira, o segundo filho e nosso biografado. O primogênito do casal Bandeira Cavalcanti, Francisco, tomou-se médico otorrinolaringologista, vindo a clinicar em Caratinga, MG, tornando-se conhecido, pelo acertado diagnóstico e bem sucedida cirurgia em três irmãos portadores de cegueira congênita. Abaixo de Francisco e Milton, o casal teve outros cinco filhos: Ademar, médico militar, ginecologista e obstetra do Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro; Ernani, advogado e funcionário do Banco do Brasil no Rio de Janeiro; Washington, que também seguiu a carreira militar e reside no Rio Grande do Sul; Antônio Bandeira, general reformado que serviu como Comandante da 4ª Região Militar, em Juiz de Fora, da 4ª Divisão do Exército, em Belo Horizonte, do III Exército, no Rio Grande do Sul, e atuou no Comando do Planalto, em Brasília. As duas filhas: Maria do Carmo e Maria das Dores, a primeira odontóloga e cunhada de Edwiges Miranda, residente em Viçosa. Ambas residem em João Pessoa, Paraíba. Milton Bandeira, seguindo a trilha de seus dois irmãos médicos, fixou residência em Coimbra, em 1932, onde montou seu consultório na Praça, à esquerda da Igreja Matriz. Diplomado em Medicina, em 1926, pela Universidade de Medicina do Rio de Janeiro, na Praia Vermelha, teve sua vida acadêmica marcada por grande êxito, destacando-se como excelente estudante. Especializou-se em Pediatria e Obstetrícia. Aos 9 de junho de 1934, na Catedral de Juiz de Fora, Milton, Bandeira casou-se com Zilda Gandra Bittencourt. O casal teve seis filhos: Leda, ex-professora do Departamento de Educação da UFV, fundadora e presidente da APOV - Associação Assistencial e Promocional da Pastoral da Oração de Viçosa e membro da Academia de Letras de Viçosa; Yeda, falecida aos onze meses; Milton Bandeira Filho, ex-funcionário do Departamento de Biologia da UFV, casado com Maria do Desterro Martins Bandeira (Téa); Heloísa, ex-funcionária do Departamento de Química, da UFV, casada com o Professor João Carlos Chagas Campos, professor do Departamento de Engenharia Florestal da UFV; Roberto, engenheiro eletricista da Petrobrás do Rio de Janeiro, casado com Lourdes Zárate Bandeira; Marina, psicóloga e professora do Departamento de Psicologia da Fundação Universidade de São João del Rei, ex-esposa do advogado e criminólogo viçosense, residente no Canadá, Fernando Antônio Pereira Acosta, neto de Alice Gomes Couto. Nos últimos meses de vida, Dr. Bandeira insistia: Não deixem meus netos se esquecerem de mim. São seus netos: Luciano e Marcos, filhos de Heloísa e João Carlos, os únicos que ele conheceu. Ambos cursam Engenharia Mecânica na UFMG, em Belo Horizonte. Milton Bandeira Neto e Paulo Henrique, filhos de Milton Bandeira Filho e Téa, estudantes do 1º grau, como a única neta, Angela, filha de Roberto e Lourdes. Inteligente, estudioso e dinâmico, o Dr. Bandeira superou, com intensa vida de trabalho, saúde precária, submeteu-se, ainda jovem, a duas cirurgias: correção de uma anomalia anatômica, ocasionada por rins policísticos, e de vesícula. Vindo de Coimbra para Viçosa, após residir com o sogro, Aristides Ildefonso Bittencourt, por cinco anos, na Praça Silviano Brandão, 53, montou seu consultório à Praça do Rosário, 52. Aprovado em concurso público na UFV, tornou-se o primeiro Chefe do Serviço Médico desta Universidade onde se aposentou. Extremamente dedicado a seus clientes e grande estudioso da medicina, revelou notória eficiência, sobretudo nos diagnósticos, com freqüência, confirmados e elogiados por especialistas de nomeada, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Sua clientela de Viçosa e cidades vizinhas foi sempre considerável e demonstraram-lhe fidelidade. Incentivou a vida intelectual dos filhos e preocupava-se, em excesso, com o seu futuro. Sempre fazia referência aos sacrifícios que uma vida financeira difícil lhe impusera, quando estudante e no início da carreira. Estabeleceu-se por esforço próprio e competência, embora tenha recebido ajuda do sogro, nos primeiros anos. Sua esposa, professora primaria, em Coimbra e Viçosa, estava sempre voltada para o trabalho. O casal viveu uma fase de absoluta simplicidade e restrições, sendo totalmente superado, mais tarde. Todos os êxitos alcançados levaram a marca inconfundível da presença constante, forte e suave de Zilda, firme, serena, sábia, compreensiva, cheia de fé! Dr. Milton gostava de livros, música, rosas e pássaros. Tinha, o concriz, um pássaro do Norte que, coincidentemente, morreu, após o falecimento de seu dono. No CTI do Hospital S. Lucas, em Belo Horizonte, às 8 horas e 20 minutos, do dia 1' de novembro de 1975, de doença cárdio-vascular, rodeado pela família, falecia, aos 68 anos, Dr. Milton Bandeira. Atendido com eficiência e bondade pelo médico viçosense, Dr. Carlos Raymundo Torres, foi levado para o PROCOR da Capital, a 13 de julho de 1975, e lá, assistido, da mesma forma, pelo cardiologista viçosense Dr. José Expedito Janotti que o visitou, diariamente, mesmo depois que o caso foi entregue a outros especialistas. Num Dia de Finados chuvoso, de 1975, Viçosa recebia, para sepultamento, a seu pedido, o filho de adoção que, da distante Guarabira, Estado da Paraíba, fizera-se viçosense, ao longo de trinta e sete anos: 1938-1975. Dois amigos: Dr. Milton Vieira Paiva e Nelson Brumano, debaixo de um temporal, foram recebê-lo e acompanharam-no de Vau-Açu a Viçosa. Preito justo a quem era fiel aos amigos e sabia cultivá-los. A sua residência estava superlotada. Acrescia que sua esposa, D. Zilda, também viçosense de adoção (natural de São Geraldo), e muito querida na cidade, contrariando ordens médicas, fez questão de acompanhar o féretro, embora de ambulância. Ela mereceu o justo elogio do esposo, na confidência à filha mais velha, poucos dias antes: Sua mãe é uma santa! Ainda, quanto a Dr. Milton, sua fé que parecia inexistente, enquanto na saúde, desabrochou-se no instante final como a rosa, sua flor predileta. |
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